O que é a Transformação Digital e como ela tem impactado a indústria farmacêutica?

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Por Fábio Barnes
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O Agile Elephant define transformação digital como “uma mudança de liderança, pensamento, incentivo à inovação e novos modelos de negócios, incorporando a digitalização de ativos e um aumento no uso da tecnologia para melhorar a experiência dos funcionários, clientes, fornecedores, parceiros e partes interessadas”.

É uma mudança de comportamento e processos que afeta todos os setores, principalmente a indústria farmacêutica. O digital está capacitando as pessoas a desempenhar um papel mais ativo em seus próprios cuidados e tornando os processos mais eficientes para os prestadores de serviços. 

As grandes empresas farmacêuticas não são mais a única fonte de informações sobre como seus produtos funcionam. As recentes tendências da transformação digital fornecem a pacientes e players do setor acesso sem paralelo sobre o impacto de uma estratégia de saúde e como isso pode afetar seu bem-estar geral e a vida cotidiana.

As plataformas e comunidades online permitem que as pessoas discutam o progresso de seus tratamentos, enquanto alguns aplicativos conseguem rastrear como um paciente é afetado por uma medida terapêutica prescrita. Essas fontes fornecem aos especialistas insights acionáveis ​​sobre a segurança e eficácia de um medicamento ou terapia. 

De acordo com a consultoria McKinsey, em um artigo intitulado The Road to Digital Success in Pharma, o primeiro passo para se adaptar a esse influxo da digitalização é desenvolver processos para oferecer a você a capacidade de usar esses novos ativos de maneira eficaz. Ao fazer isso, as empresas farmacêuticas, antigas e novas, garantem que permaneçam a “principal fonte de autoridade no desempenho de seus produtos”.

A visualização de dados não é apenas estética, é baseada em resultados reais e em descobertas do setor. Com uma quantidade crescente de conteúdo disponível online diariamente, a maneira como as pessoas acessam e processam informações está mudando. 

O compartilhamento da inteligência baseada em dados deve ser feita de uma maneira tangível e acessível a um público mais amplo, não apenas à mente científica. Por exemplo, a visualização de dados pode melhorar como as informações do paciente são comunicadas a eles ou como certos medicamentos e tratamentos estão afetando diferentes áreas do sistema fisiológico.

Embora os profissionais de saúde continuem representando a relação entre pacientes e a indústria farmacêutica, as tendências digitais estão demonstrando que uma quantidade crescente de pessoas está mais engajada com seus planos de tratamento. A McKinsey diz que, devido à grande quantidade de informações digitais acessíveis em assistência médica e farmacêutica, mais de 85% dos pacientes se sentem mais à vontade em tomar as rédeas de seus tratamentos – ainda mesmo que com o mínimo acompanhamento profissional.

Essas informações permitem que os pacientes desenvolvam um melhor relacionamento com sua saúde e avaliem o custo dos produtos farmacêuticos ou serviços de saúde de que precisam. Para novas empresas farmacêuticas, as chamadas biotechs, tendências de transformação digital como essas podem ser benéficas, pois a indústria tem a oportunidade de se conectar e se envolver com potenciais clientes no ambiente digital.

Não apenas o atendimento ao paciente será aprimorado por meio de análises, inteligência artificial e outras tecnologias avançadas, mas a indústria de desenvolvimento farmacêutico também será transformada. Com informações em tempo real de ensaios clínicos, os fabricantes de medicamentos entenderão melhor como um medicamento afeta um usuário e como eles podem otimizar seus efeitos e minimizar os efeitos colaterais.

Para que as organizações sobrevivam e prosperem no setor de saúde digitalizado, as farmacêuticas devem começar a gerar ideias e implementar estratégias digitais imediatamente para desenvolver um modelo de negócio que permita transformar seus pontos fortes. No final do dia, é vital que essas empresas mantenham o objetivo final no centro de sua missão: a saúde e a segurança de seus pacientes.

O cenário da indústria farmacêutica

De acordo com um relatório da The Business Research Company, em 2017, no mundo, a indústria farmacêutica movimentou US$ 934,8 bilhões e alcançará US$ 1,1 trilhão até 2021, um crescimento de 5,8% ano a ano. É um ritmo acelerado em comparação aos 5,2% nos anos anteriores a 2017, mas é mais lento que o dos outros dois grandes segmentos de saúde: equipamentos médicos e serviços. A assistência médica como um todo cresce mais de 7% ano a ano.

Os fatores que afetam o tamanho desse mercado incluem prevalência de doenças, acessibilidade de medicamentos, atitudes do consumidor, políticas governamentais e alguns fatores do lado da oferta. A prevalência de doenças está relacionada ao tamanho da população, idade, herança genética e comportamento (a incidência de doenças infecciosas é menor quando as práticas de saneamento são melhores; estilos de vida sedentários também incentivam doenças crônicas). 

A acessibilidade está relacionada à renda, mas também aos preços dos medicamentos. As atitudes do consumidor incluem a disposição de usar terapias alternativas ou a desconfiança em usar drogas. As políticas do governo (e da companhia de seguros) afetam o reembolso e quem é o pagador. Outras políticas governamentais determinam a regulamentação, o que pode ser uma barreira significativa para o lançamento de novos tratamentos. E um fator importante do lado da oferta é a disponibilidade de um tratamento apropriado, que pode ser uma questão de quantidade, como em uma epidemia, ou de descoberta e desenvolvimento de medicamentos.

As mudanças atuais e em andamento nos fatores políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, legais e ambientais estão influenciando o crescimento do mercado de assistência médica, onde as drogas desempenham um papel importante. Os seguintes fatores estão impulsionando esse crescimento:

  • Impostos reduzidos e preços baixos de medicamentos nos EUA;
  • Crescimento do PIB acima de 6% na China e na Índia;
  • Envelhecimento populacional generalizado e estilos de vida sedentários, levando ao aumento da prevalência de doenças crônicas;
  • Barreiras regulatórias reduzidas para novos medicamentos nos EUA;
  • Níveis altos de poluição urbana, aumentando a incidência de condições como asma.

Como resultado, as despesas de saúde per capita devem subir de US$ 1.137 para US$ 1.427 até 2021. Parte da explicação para o crescimento atual relativamente lento do mercado farmacêutico é que o lançamento dos principais novos produtos diminuiu e as empresas estão restringindo seu investimento em Pesquisa & Desenvolvimento. 

Por exemplo, apesar do enorme potencial de qualquer novo medicamento eficaz e seguro para o tratamento da doença de Alzheimer, a Pfizer encerrou o programa de pesquisa da doença, enquanto a AstraZeneca e a GSK também reduziram seus esforços. As altas taxas de falhas, o custo médio de US$ 2 bilhões no desenvolvimento de um novo medicamento e os retornos decrescentes do investimento – de 10,1% ao ano em 2010 para 3,2% em 2017 para as grandes empresas farmacêuticas, segundo a Deloitte – estão impedindo o lançamento de novos medicamentos, como os que impulsionaram o mercado nos anos anteriores.

Atualmente, a maior parte do crescimento da indústria farmacêutica vem do tamanho da população mais velha, o que aumenta a demanda por tratamentos de longo prazo para doenças crônicas e um melhor acesso aos serviços de saúde nas economias emergentes.

Tem também o crescimento do eixo Ásia-Pacífico, alimentado pela acessibilidade dos medicamentos – resultante do lançamento de genéricos de baixo custo -, aumento do PIB per capita na região, programas governamentais de apoio à saúde e rápida urbanização, que traz médicos e farmácias de fácil alcance. As vendas de produtos farmacêuticos nessa indústria crescerão 8,4% ao ano até 2021.

Brexit complica ainda mais a situação regulatória

Com o prazo para o Reino Unido confirmar os termos de sua saída da União Europeia (UE), o efeito dos possíveis resultados na indústria farmacêutica ainda não é totalmente conhecido. 

Por exemplo, as farmacêuticas da UE que dependem de suprimentos do Reino Unido, como Sanofi e Novartis, estão começando a armazenar medicamentos e há preocupações com testes em lotes, suprimento de sangue e órgãos e alterações nos processos de regulamentação e testes clínicos que retardarão os medicamentos que chegam às ilhas britânicas pós-Brexit. 

Um dos principais desafios de acesso ao mercado da indústria farmacêutica que o Brexit traz consigo, independentemente do caminho a seguir, está relacionado à futura localização da Agência Europeia de Medicamentos. Desde a sua criação em 1995, a EMA estava localizada em Londres. No entanto, a Holanda venceu a oferta para sediar a nova sede da EMA. Com a sede da EMA em breve mudando para Amsterdã, várias mudanças podem ser implementadas nas regras para medicamentos desenvolvidos e testados no Reino Unido.

Os produtos farmacêuticos constituem uma parte considerável dos produtos exportados de e para o Reino Unido. Quaisquer obstáculos pós-Brexit à livre circulação de mercadorias podem significar problemas para esses suprimentos, potencialmente levando à escassez temporária de drogas. Isso é especialmente verdadeiro no caso de medicamentos como a insulina medicinal, que não é fabricada no Reino Unido, nem é facilmente armazenada, pois exige condições de temperatura controlada. 

No entanto, não é apenas o movimento de medicamentos que está em risco. Como se aproxima a possibilidade de regras mais rígidas sobre o fluxo de pessoas entre o Reino Unido e a UE, as empresas da indústria farmacêutica estão preocupadas com sua capacidade de atrair talentos de fora da Grã-Bretanha no futuro. É vital que as empresas farmacêuticas ainda possam acessar os melhores talentos de todo o mundo.

O Reino Unido desempenha um papel significativo na regulamentação de medicamentos na UE através do trabalho da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA). O país frequentemente atua como relator / co-relator no procedimento centralizado da UE e como o estado-membro de referência no procedimento descentralizado. Será uma tarefa desafiadora substituir a capacidade e a experiência da MHRA, particularmente no caso em que o cronograma de reforma seja agressivo.

A desaceleração do crescimento do mercado, as implicações do Brexit e os preços inflacionados de medicamentos são as principais áreas de preocupação, mas também vimos isso em anos anteriores, onde o mercado se recuperou e se adaptou às mudanças.

Mesmo com seus desafios, a indústria mantém uma fortaleza. Há notícias promissoras no horizonte com biossimilares e tendências de assistência médica centradas no paciente, que provavelmente ajudarão o mercado a retornar a um estado próspero. 

Falta de inovação: tempo dispendioso no desenvolvimento de medicamentos

É fato que o atual modelo de negócios das empresas farmacêuticas não está funcionando de maneira eficiente. Para cada US$ 1 bilhão gasto em P&D, o número de novos medicamentos aprovados diminuiu pela metade a cada nove anos desde 1950. O retorno estimado desses produtos diminuiu substancialmente desde 2010, de 10,1% para 3,7%

Em média, as trinta grandes empresas farmacêuticas e de biotecnologia obtiveram apenas 11% de sua receita em 2017 com medicamentos desenvolvidos nos últimos cinco anos. Todos os anos, quase US$ 10 trilhões são gastos no setor de saúde (equipamentos e serviços de saúde, produtos farmacêuticos, biotecnologia e ciências da vida) e apenas uma fração (US$ 140 bilhões por ano) é gasta em pesquisa e desenvolvimento de produtos farmacêuticos, resultando em apenas 30 a 40 novas aprovações de medicamentos por ano.

Uma pesquisa da Gallup, realizada em agosto de 2016, constatou que nenhum setor é menos valorizado pelos cidadãos dos Estados Unidos do que os produtos farmacêuticos. As cinco principais indústrias desta pesquisa são analisadas mais negativamente do que positivamente, com três – governo federal, produtos farmacêuticos e assistência médica – recebendo classificações negativas de mais da metade do público. 

Uma nova análise, essa de 2018, descobriu que a opinião pública, a confiança e a reputação das empresas farmacêuticas parecem estar definhando ainda mais. Também houve um declínio significativo na percepção do público sobre a transparência, abertura e autenticidade dos fabricantes de medicamentos.

Apesar da opinião pública negativa, as empresas farmacêuticas desempenham um papel crucial na sociedade. E como há dois lados em cada história, a verdade está sempre em algum lugar no meio. A indústria farmacêutica sempre atraiu apaixonados idealistas, mas, ao mesmo tempo, as realidades do mercado de produtos farmacêuticos tornaram a tentação do crime corporativo extraordinariamente aguda. 

Portanto, apesar da corrupção e da falta de transparência, permanece o fato de que o principal problema da indústria farmacêutica é sua natureza conservadora ao lidar com um processo que simplesmente não funciona mais devido à falta de inovação, em meio à disrupção digital, à rápida evolução tecnológica, avanços e outras questões, como falta de reprodutibilidade dos dados.

De fato, com relação à falta de reprodutibilidade dos dados, existe uma regra tácita na indústria farmacêutica: “Metade de todas as pesquisas biomédicas produzidas por acadêmicos – e que deveriam ser geradores de leads inovadores para produtos farmacêuticos – acabará sendo falsa”. Por esse motivo, em 2011, um grupo de pesquisadores da Bayer decidiu testar essa regra. 

Então, analisando 67 projetos recentes de descoberta de drogas, eles descobriram que em mais de 75% dos casos os dados publicados não coincidem com as tentativas internas de replicação. De fato, a literatura médica é considerada por seus próprios profissionais como a menos confiável. Curiosamente, químicos, físicos e engenheiros estão entre os mais confiantes na literatura de seu próprio campo.

É claro que também existe uma regra tácita na academia, em relação à literatura acadêmica específica – usada pelos médicos para orientar decisões – que pode ser gerenciada nos bastidores, para uma agenda não declarada. 

Na realidade, alguns artigos acadêmicos geralmente são escritos por um escritor comercial (ghostwriter) empregado pela pharma, com o nome de um acadêmico colocado no topo para fornecer uma demonstração de independência e rigor científico. Freqüentemente esses acadêmicos tiveram pouco ou nenhum envolvimento na coleta de dados ou na redação do artigo.

Portanto, enquanto a academia e a indústria farmacêutica estão envolvidas nesse debate “o ovo ou a galinha” sobre a reprodutibilidade dos dados, a realidade é que a inovação tecnológica na indústria farmacêutica é de alguma forma deixada para trás. Portanto, admitir que a biologia de uma única célula se mostrou muito mais complicada do que o esperado e que precisaremos de supercomputadores, IA e Blockchain para entender a complexidade das ciências da vida é provavelmente a melhor coisa a fazer para promover a inovação no desenvolvimento de medicamentos.

Para cada 10 mil compostos selecionados na descoberta, aproximadamente 250 passam por estudos pré-clínicos mais rigorosos. Eventualmente, 5 compostos desses 250 serão passados ​​para ensaios clínicos altamente regulamentados (Fase 1-3). Excluindo os medicamentos contra câncer dos resultados – que representaram 31% de todos os programas de medicamentos estudados e têm taxas gerais de sucesso de 5,1% – a taxa geral de sucesso de todos os outros medicamentos que entram nos ensaios clínicos da Fase 1 e, finalmente, alcançam a aprovação do FDA é de 11,9%. Todo o processo de desenvolvimento de medicamentos leva de 10 a 15 anos e US$ 2,6 bilhões para trazer um medicamento ao mercado.

Durante todo o desenvolvimento do medicamento, cada empresa gera terabytes de dados, mantidos ocultos atrás de um firewall (big data não publicado). Em parte, isso se deve a rígidos padrões regulatórios e de conformidade e, em parte, a um ambiente extremamente competitivo no qual essas empresas operam. A maioria desses dados confusos fica em silos e, por um longo tempo, as empresas não consideraram isso adequado para análise retrospectiva. A gerência geralmente não vê valor suficiente em algo que exige um investimento tão grande.

Tente agora imaginar o desenvolvimento de medicamentos como um conjunto de três caixas: a descoberta, a caixa pré-clínica e a clínica. Cada uma dessas caixas é isolada a partir de outra caixa, sem linearidade e comunicação durante todo o processo de desenvolvimento de medicamentos (devido à desconfiança mútua). 

Aparentemente, os dados publicados das três caixas frequentemente (50 a 70%) não apresentam reprodutibilidade (resultados falso-negativos e falso-positivos), enquanto os dados grandes não são publicados. A caixa de descoberta fica sem regulamentação, a caixa pré-clínica é de alguma forma regulada e a caixa clínica é completamente regulada. Mesmo que a descoberta (e a inovação) geralmente cheguem à ausência de regras e regulamentos estritamente aplicados – de fato, os antibióticos foram descobertos por acidente – há um limite para a completa ausência de regras. Geralmente, uma vez ultrapassado esse limite, a “anarquia” pode começar.

Na caixa pré-clínica, os medicamentos candidatos são testados em pequenos animais em gaiolas em algum porão e em um ambiente asséptico, enquanto todos sabemos que os seres humanos têm uma vida normal em um ambiente normal,  chamado “exposoma” (partículas de ar, poluentes, vírus e tudo o que entramos em contato todos os dias).

Na caixa clínica, os medicamentos candidatos são testados em seres humanos, enquanto experimentos bem projetados são realizados em laboratórios. Imagine agora cada uma dessas caixas clínicas cheias de um número finito de pequenas caixas menores. Cada caixa menor representa um paciente ou um experimento de laboratório (mais ou menos). Para cada uma dessas caixas menores, as farmacêuticas construíram em torno delas enormes escudos de proteção (regulamentos) para monitorar todos os parâmetros que podem afetar – e elas não querem isso – os milhões de variáveis ​​dentro de cada caixa menor. 

Ou seja, a estabilidade interna de cada caixa menor é “controlada” pelo monitoramento e estabilização dos parâmetros XYZ externos à caixa menor. Em outras palavras, não temos monitoramento em tempo real (da vida real) dos parâmetros ABC dentro de cada caixa menor. Felizmente, esse problema será efetivamente resolvido usando os dispositivos inteligentes de saúde (sensores internos) para os pacientes, enquanto os sensores logísticos em tempo real – monitorando os parâmetros internos durante as experiências no laboratório.

Conclusão: entre o processo científico e o ambiente regulatório, o atual processo de desenvolvimento de medicamentos, por exemplo, precisa de uma grande dose de inovação.

Pressão para diminuir os custos de Pesquisa & Desenvolvimento

As duas principais áreas de custo para qualquer empresa farmacêutica inovadora são: pesquisa e desenvolvimento; vendas e marketing. Em relação às vendas e marketing, foram implementadas medidas austeras de custos, com reduções significativas nos funcionários da força de vendas e mudanças para reduzir os custos via marketing digital – ajudadas pela mudança para a venda de áreas de doenças especializadas, com menos médicos e o aumento dos canais digitais de comunicação.

Agora, a pressão estará no gerenciamento dos custos de pesquisa e desenvolvimento de maneira mais eficaz do que nunca. Essa tarefa difícil deve ser realizada mesmo à medida que o desenvolvimento clínico evolui, com os pipelines focados no desenvolvimento de produtos especiais em populações bem definidas, mudanças regulatórias que englobam aprovação anterior e maior flexibilidade nos dados, além do surgimento de tecnologias digitais para apoiar e expandir a pesquisa clínica.

Desafios da indústria farmacêutica

A indústria farmacêutica possui um dos modelos de negócios mais regulados e normatizados do mundo. As exigências dos órgãos reguladores são extremamente rígidas devido à necessidade de redução de riscos à saúde dos consumidores. O sucesso dessa garantia de qualidade resulta de controles e procedimentos fabris, que devem ser cumpridos à risca. Há três realidades que qualquer empresa desse segmento que busque se posicionar com sucesso não pode negar:

Antecipação: só se mantém no mercado quem é capaz de adotar uma postura visionária, com o desenvolvimento constante de novos produtos e tecnologias. Há enormes oportunidades para as empresas que estiverem bem preparadas.

Controle dos processos: a vigilância em cima das empresas do setor farmacêutico é grande, proporcional à responsabilidade deste segmento. Não há outra possibilidade a não ser atuar de acordo com a legislação e cumprir todas as regulamentações nos mínimos detalhes. É preciso ter controle de todos os processos dentro da empresa e ainda estar atento para inovar.

Inteligência financeira: para investir em pesquisa e inovação, necessidades primordiais para esse setor, é preciso ter um fluxo de caixa equilibrado. A máxima de que são necessários altos investimentos para implementar processos de classe mundial em pequenas e médias empresas já caiu por terra. É possível ter um sistema de gestão alinhado às melhores práticas do mercado sem grandes investimentos iniciais.

Basicamente, em linhas curtas, os desafios que a indústria farmacêutica enfrenta são: uma adoção rápida de processos de classe mundial que facilitam o controle e a redução dos custos operacionais; otimização dos processos produtivos e rastreabilidade da produção, garantindo atuação mais segura e responsável e melhor gestão dos assuntos regulatórios; e desenvolvimento ou substituição de produtos importados, além do volume para atender à demanda em déficit do mercado.

O que nos leva à uma necessidade: o mercado apresenta oportunidades para a ampliação da oferta de insumos industriais, o que poderia estimular o crescimento e aliviar pressões inflacionárias. O mercado exige cada vez mais aperfeiçoamento dos processos de produção pela automação, planejamento e controle dos custos em processo. Concretizar oportunidades depende de condições como: infraestrutura local e logística, preços de energia, tributação, entre outros que afetam os resultados.

A realidade que vivemos hoje, em geral, é que pequenas e médias empresas não possuem os recursos das grandes companhias para investir em processos de classe mundial que se traduzam em melhorias de processo e desenvolvimento de produtos que acompanhe a demanda do mercado. Isso denota um gargalo de gestão e de cultura empresarial que precisa ser solucionado. 

E em um exercício, a solução seria, também em linhas curtas, organizar a casa. Não há outra alternativa a não ser deixar todos os processos sob o mais rigoroso controle e manter os recursos humanos alinhados aos padrões de excelência em todas as etapas. Já há no mercado novas tecnologias e soluções, como sistemas de gestão na modalidade SaaS, para melhorar a eficiência da gestão, permitindo alavancar e acelerar o crescimento e a sustentabilidade das empresas, com baixo investimento inicial e previsibilidade dos custos.

O futuro e a indústria farmacêutica 4.0

Em 2008, o Google lançou um projeto chamado Google Healthy. Dez anos depois, em novembro de 2018, contratou um CEO para organizar suas iniciativas na área, que incluem o Google Fit, app que ajuda pessoas a terem uma atividade saudável diária; o Nest, uma solução de automação através de Internet das Coisas para residências e empresas; a Verily e a Calico, duas startups de biotecnologia; e a DeepMind, sua startup de Inteligência Artificial.

A Verily e a Calico são empresas de pesquisa e desenvolvimento e receberam cerca de US$ 2 bilhões da Alphabet, a holding de investimentos do Google. Em uma de suas iniciativas, utilizam machine learning para analisar a íris humana e fazer a projeção de problemas cardíacos.

A esta altura você já depreendeu o quanto a tecnologia impactará o mercado de saúde, incluindo o de medicamentos, que precisará ser muito mais associado com prevenção, tratamento específico (e cirúrgico, podemos dizer), além de resultados mais precisos e rápidos.

Ou seja, o jogo vai começar a mudar, e a indústria farmacêutica poderá alcançar mais resultados em áreas que combinem medicação e uso, monitoramento e controle por tecnologia digital. Isso significa que a cadeia de valor de ciências da vida – farmacêuticas, equipamentos, serviços médicos, diagnósticos – precisará estar muito mais próxima e integrada no futuro para alcançar resultados e perpetuidade.

A KPMG lançou um estudo nessa direção, chamado Indústria Farmacêutica 2030, que aponta três grandes áreas de atuação para as farmacêuticas nesse novo cenário.

Genética: as empresas de biotecnologia já evoluíram a ponto de propor novas drogas e novos tratamentos para prevenir ou curar doenças. O estudo da KPMG aposta que os avanços serão ainda maiores nas próximas duas décadas, chegando a novas terapias para câncer, ELA, Parkinson e Alzheimer.

Imunoterapia: os tratamentos que buscam potencializar o sistema imunológico para que o próprio organismo possa prevenir ou combater infecções e doenças também deverão ganhar mais espaço.

Biotechs: as empresas de tecnologia irão colaborar cada vez mais e se tornarão parte da cadeia de valor de ciências da vida, especialmente, das farmacêuticas, seja para coletar informações que ajudam a melhorar as formulações, seja como parte do próprio tratamento.

Não basta o board da farmacêutica reconhecer essas mudanças. É insuficiente também começar a pensar em iniciativas com tecnologias emergentes. Os executivos, em especial o CEO, e não mais apenas o CIO, precisam transformar tudo isso (ainda hoje) em mudanças no modelo operacional e na forma como administram os negócios.

Se as mudanças podem ser dramáticas, então é preciso criar as fundações para que a empresa consiga monitorar mudanças e tomar suas decisões rapidamente. A transformação digital fez emergir tecnologias e as novas formas de computação corporativa. Agora, chegou a hora do próximo passo, concomitante. Percorrer a jornada da empresa Inteligente, conectando o mundo digital ao físico passa a ser necessidade e realidade. 

A Indústria 4.0 envolve a convergência de pessoas, de dados, de sistemas, de criação e de implementação de processos informatizados autônomos. A Indústria 4.0 é sobre como automatizar e integrar todos os aspectos do seu negócio. Isso pode incluir tudo, desde a operação, relatórios e monitoramento de uma máquina em sua linha de produção, até o pedido de matérias-primas de fornecedores, a rastreabilidade de produtos em toda a sua cadeia de suprimentos. Isso geralmente é chamado de transformação digital de seus negócios. Então, quais são os principais benefícios da Indústria 4.0 para a indústria farmacêutica?

O aumento de produtividade é um dos benefícios mais latentes que a Indústria 4.0 oferece. Desse, outros benefícios também fluem, como: automatização de processos, para que eles possam ser concluídos com mais rapidez e precisão; redução de tempo de inatividade com o uso de sensores e sistemas preditivos que tornam os sistemas mais inteligentes; autocorreção e prevenção de falhas; e integração da cadeia de suprimentos para torná-la mais eficiente.

O monitoramento automatizado e contínuo de sua instalação de produção levarão a menos erros e produtos finais de melhor qualidade. As tecnologias da Indústria 4.0 também possibilitam melhorar o serviço que você fornece aos clientes – isso pode ser feito com o planejamento aprimorado da produção, por exemplo, alcançado ao conectar dados de produção, suprimento, vendas e expedição em um sistema.

A conformidade com os novos regulamentos entrando em vigor na UE e em outros lugares ao redor do mundo é mais fácil usando as tecnologias da Indústria 4.0. Essas tecnologias oferecem relatórios em tempo real, coleta de maiores quantidades de dados, melhor análise e apresentação em formatos utilizáveis. Esses dados contextualizados levam a um maior conhecimento dos processos de negócios e de produção que, por sua vez, levam a uma melhor tomada de decisão.

Isso oferece várias vantagens. Por exemplo, os dados contextualizados facilitam a identificação de áreas para melhoria, possibilitando o melhor direcionamento dos recursos, além de oferecerem oportunidades de análise preditiva, como no desenvolvimento de produtos ou na previsão da demanda de clientes, ajudando as empresas a planejar o futuro.

Quando você agrupa todas as opções acima, o resultado é maior lucratividade nos negócios. Sua empresa também será mais competitiva e mais bem equipada para lidar com os desafios e oportunidades do futuro. A maioria dos fabricantes de produtos farmacêuticos já começou a jornada da Indústria 4.0, adotando a abordagem evolutiva mais realista do que a revolucionária.

Transformação Digital: diretrizes para inovar e competir na Nova Economia

Seu produto pode não ser tecnologia, você pode não vender um aplicativo, mas a sua empresa é conhecida, reconhecida, comunicada e julgada por meio da tecnologia. “Até 2020, a experiência do cliente superará o preço e o produto como o diferenciador-chave da marca. 86% dos compradores pagarão mais para terem uma melhor experiência”, segundo a CEI Survey.

Para transformar o seu negócio e permitir que esses novos canais gerem valor real para você, é preciso repensar as ações e integrar o digital no coração do funcionamento da empresa, tornando-o parte do seu DNA. A sua marca é a experiência digital que você oferece para o seu cliente.

A experiência que você oferece para seus clientes deve ser dinâmica e contínua. O digital está entrando na sua empresa para movimentar processos estáticos, de lentidão e desconhecimento do seu consumidor. Você deve estar disponível agora, não daqui a dez dias. A informação acontece ao vivo.

O processo de transformação digital tem início com uma estratégia de avaliação do negócio, em um cenário predominado por incertezas e que exige foco nos desafios que virão. É necessário imaginar como as tecnologias digitais poderão impactar o negócio, pensando em todas as possíveis rupturas do mercado, estando aberto às mudanças e reestruturações nos seus processos para, então, traçar o destino a ser alcançado.

A transformação digital atingirá de maneira disruptiva todos os setores e mercados mais rápido do que imaginamos. Empresas estão sob sucesso e o risco do desaparecimento do próprio negócio, pois mesmo com o suporte das tecnologias, dependem muito da capacidade de compreenderem a amplitude da transformação que precisam e do desafio de implementarem suas estratégias digitais o mais rapidamente possível.

A essência da transformação digital consiste basicamente em: digitalização, desmaterialização, desmonetização, democratização e disrupção. Para não ser pego de surpresa, você mesmo a provoca, gerando desafios e riscos e abrindo novas oportunidades para o seu negócio. Transformação digital não é uma adoção massiva de novas tecnologias, mas uma revolução digital no mundo dos negócios.

No relatório 2017 Digital Trends in Healthcare and Pharma da Econsultancy, quase 500 participantes da indústria farmacêutica se envolveram na descoberta de quais áreas do marketing digital serão “muito importantes” nos próximos anos para o segmento. 

De acordo com suas descobertas, 74% dos entrevistados afirmaram que “otimizar a jornada do cliente em vários pontos de contato” estará entre as estratégias de marketing digital mais importantes para o futuro. Então, o que isso significa para novas empresas farmacêuticas e profissionais da saúde? Simplificando, significa que haverá um envolvimento mais amplo de vários pontos de contato do processo de atendimento ao paciente. De representantes de vendas de produtos farmacêuticos ao atendimento virtual atualizado e 24/7. Se tornará norma no setor.

De acordo com a McKinsey, já existem aplicativos de atendimento virtual, incluindo o NeoCare Solutions da Aetna, que trabalha para fornecer assistência sob demanda de enfermeiras neonatais depois que os pais voltam para casa com seus bebês. A personalização desempenhará um papel fundamental nessa transformação de horário comercial restrito para acesso 24/7 ao atendimento. Tecnologias como sensores e aplicativos permitirão atendimento exclusivo ao paciente, personalizado para atender às suas necessidades específicas.

Para empresas farmacêuticas, essa mudança de expectativa e experiência significa que uma mudança centrada no cliente está em ordem para o sucesso. No entanto, o relatório Digital Trends and Healthcare adverte sobre processos burocráticos e crescimento lento para organizações de grande porte como sendo o principal desafio para sobreviver a essas tendências de transformação digital. 

As empresas do setor precisam se preparar para o maior desafio de sua história: o futuro. A tecnologia digital é irrefreável e o consumidor tornou-se um mutante digital. Lidar com tudo isso, alcançar mais excelência, inovar e garantir competitividade são os desafios. Em resumo: é preciso lidar com tudo isso e manter um alto nível de gestão, rumo ao que chamamos hoje de EMPRESA INTELIGENTE.

Inteligência Artificial, Internet das Coisas, nuvem, robótica avançada, mobilidade, blockchain, realidade aumentada: tudo isso, de alguma forma, já está sendo aplicado na indústria farmacêutica ou no radar de CEOs, CFOs, CIOs, CMOs e COOs. Começamos chamando de transformação digital, que consistia em reinventar modelos de negócio de olho no novo consumidor e nas novas tecnologias ou tecnologias emergentes.

Todas essas possibilidades e as tecnologias envolvidas trazem à mesa um volume cada vez maior de informações e a necessidade de transformá-las em inteligência, inovações, agilidade, decisões e em melhor gestão. Isso nos conduz ao que o mercado está chamando de Empresa Inteligente. As novas modalidades de computação corporativa, tais como Cloud Computing e Machine Learning estão permitindo que empresas construam processos de negócios mais inteligentes.

Ou seja, empresas Inteligentes são aquelas que colocam seus sistemas corporativos e essas tecnologias digitais emergentes a serviço de combinar dados para repensar seus processos, eliminar riscos, reduzir custos, gerar insights inteligentes e aumentar os resultados.

Cultura organizacional: o drive para a inovação

A cultura da empresa é o que leva os funcionários a dar o melhor de si todos os dias por uma causa em que acreditam. É o que faz com que os melhores permaneçam fiéis ao longo dos anos. Alguns acreditam firmemente no poder da cultura, especialmente em um setor impulsionado por inovações em ritmo acelerado, argumentando que o sucesso só pode ser alcançado com a criação de um ambiente no qual ideias com potencial de avanço possam ser compartilhadas, testadas e desenvolvidas.

O exemplo mais conhecido de grande cultura empresarial em biotecnologia é a Genentech, uma biotech do Vale do Silício, que além de ótimos salários e condições de trabalho que dão espaço para o desenvolvimento pessoal, garante que seus colaboradores se sintam próximos do crescimento da empresa, comemorando todos os grandes marcos. Ela também vai além e comemora correr riscos que não acabam sendo bem-sucedidos – em seus “Awesome Failure Awards” -, sabendo que esses esforços são o que alimentam a inovação.

As biotechs demonstraram minuciosamente que uma grande cultura de empresa pode se traduzir em grandes resultados. Mas o mais impressionante é que demonstrou que pode ser mantida mesmo depois de ser adquirida por uma grande empresa como a Roche, renovando os cargos da alta administração e escalando para mais de 14 mil funcionários.

Na Europa, o MorphoSys parece ser outro grande exemplo. Simon Moroney, o CEO, disse que garante um tempo para conhecer pessoalmente todos os novos funcionários. “Tentamos manter uma ótima cultura lá porque acho que ajuda na produtividade. Se você tem um ambiente em que as pessoas querem vir e querem trabalhar, a empresa terá sucesso. Nós trabalhamos muito duro nisso”.

Um estudo da Accenture, intitulado Getting to Equal 2019, demonstra que uma cultura de igualdade no local de trabalho é fundamental na multiplicação de iniciativas em prol da inovação e do crescimento. A pesquisa é baseada nas respostas de mais de 18 mil profissionais de 27 países – inclusive o Brasil -, além de entrevistas com mais de 150 executivos C-level de oito países, além de modelo que combina os resultados da pesquisa com dados já publicados sobre a força de trabalho. 

95% dessa amostragem enxerga a inovação como vital para sua competitividade e viabilização de negócios. Uma cultura de igualdade tem um papel chave quando se quer impulsionar uma mentalidade de inovação mais do que outros fatores que diferenciam as organizações, como setor, país ou dados demográficos da força de trabalho. 

Um ambiente empoderador é de longe o fator mais importante para impulsionar uma mentalidade inovadora, formada por seis elementos: propósito, autonomia, recursos, inspiração, colaboração e experimentação. Quanto mais empoderador o ambiente de trabalho, maior o índice de mentalidade inovadora. 

Em uma cultura mais igualitária, os principais fatores subjacentes a uma mentalidade de inovação incluem oportunidades de formação de competências relevantes, flexibilização da jornada de trabalho e respeito pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Tecnologias que impactarão a indústria farmacêutica

Tecnologias emergentes já estão inseridas no mercado farmacêutico, levando grandes laboratórios a investir também em startups para acelerar a adoção de inovação e o desenvolvimento de novas abordagens. O segmento farmacêutico já é o 2º maior investidor em inovação no Brasil, perdendo apenas para a indústria de bens e consumo. Falemos sobre as principais delas:

Nanotecnologia

Cada vez mais em alta, a nanotecnologia possibilitará atuar de forma mais específica e seletiva ao criar medicamentos inteligentes. Por exemplo, os remédios quimioterápicos, que são muito agressivos, poderão passar a agir apenas em células cancerígenas. Ou mesmo que se verifique se os medicamentos estão sendo tomados corretamente por meio da ingestão de partículas que enviam a informação aos médicos. 

A nanotecnologia já permitiu o surgimento dos chamados biomarcadores que se ligam a células para detectar doenças. No Brasil, já foram desenvolvidos biomarcadores para identificar contaminação prévia do sangue por dengue, zyca e chicungunha, algo impossível hoje pelos exames tradicionais. Já há outro sendo desenvolvido capaz de diagnosticar doenças coronárias com meses de antecedência.

Robótica Avançada

Muito além dos robôs industriais tradicionais, a nova geração pode realizar um número maior de atividades e adaptar-se à demanda. Podem ajustar máquinas, manipular produtos, afixar etiquetas, códigos e paletizar.

A utilização de robôs nas empresas apresenta diversos benefícios. Eles são recomendados para a realização de tarefas padronizadas e que dependem de um número limitado de variáveis, sendo apropriados para executar o atendimento de demandas massivas.

Suas aplicações são inúmeras: entrada de dados, registro de pedidos, orientação do diálogo com o cliente, carga e descarga de máquinas, packing, prensagem e estamparia, testes de vida útil do produto, encaixotamento, aplicação de adesivo, manipulação de produtos, linhas de envase, montagem, entre outras.

O resultado é a redução de falhas e do tempo de processamento destas atividades, gerando economia nos custos. Essas inovações da robótica têm rápida instalação e grande flexibilidade para trocas de função ou ajustes da quantidade de operadores, conforme a demanda. Além disso, já existem opções que apresentam baixo custo de implantação, viabilizando o investimento.

Os robôs podem ser utilizados em atividades insalubres e perigosas, o que permite que os funcionários coordenem as tarefas de um local seguro, sem correr riscos para a saúde. Além disso, ao executar as tarefas mecânicas e repetitivas, permitem que os funcionários foquem o atendimento humano em questões mais complicadas e que requerem maior discernimento, realizando atividades mais complexas do que as que, hoje, constituem a maior parte de suas demandas.

Big Data

O tratamento do grande volume de dados gerados interna e externamente auxiliará a melhorar formulações e obter ensaios clínicos mais eficientes, o que reduzirá o “time to market”, além de melhorar segurança, rendimento e rentabilidade.

Big Data pode ser definido, de maneira mais simplista, como um conjunto de técnicas capazes de se analisar grandes quantidades de dados para a geração de resultados importantes que, em volumes menores, dificilmente seria possível.

Em outras palavras, podemos definir o conceito de Big Data como um conjunto de dados extremamente amplos que, por isto, necessitam de ferramentas especiais para comportar o grande volume que é encontrado, extraído, organizado e transformado em informações que possibilitam uma análise ampla e em tempo hábil.

Existem três “V”s fundamentais em Big Data:

Volume: você terá que processar grandes volumes de dados não estruturados de baixa densidade. Podem ser dados de valor desconhecido, como feeds de dados do Twitter, fluxos de cliques em uma página da web ou em um aplicativo para dispositivos móveis, ou ainda um equipamento habilitado para sensores. Para algumas empresas, isso pode utilizar dezenas de terabytes de dados. Para outras, podem ser centenas de petabytes.

Velocidade: velocidade é a taxa mais rápida na qual os dados são recebidos e talvez administrados. Alguns produtos inteligentes habilitados para internet operam em tempo real e exigem avaliação e ação em tempo real.

Variedade: refere-se aos vários tipos de dados disponíveis. Tipos de dados tradicionais foram estruturados e se adequam perfeitamente a um banco de dados relacional. Com o aumento de big data, os dados vêm em novos tipos de dados não estruturados. Tipos de dados não estruturados e semiestruturados, como texto, áudio e vídeo, exigem um pré-processamento adicional para obter significado e dar suporte a metadados.

Mobile Health 

É mais uma revolução dos devices. Os apps e wearables também irão provocar grandes mudanças na indústria farmacêutica. Esses equipamentos começam a fazer parte do acompanhamento do paciente em hospitais e em situações de home care. Mas irão além. Já temos pulseiras que controlam o nível de diabetes e eliminam a necessidade de testes de sangue invasivos. Já surgiram monitores capazes de identificar se pacientes estão deitados, em pé ou se caíram – uma das grandes causas de agravamento e morte de pacientes.

Internet das Coisas

O uso de sensores de Internet das Coisas, ou IoT (Internet of Things), associados a outras tecnologias, facilitam o controle e acesso a informações para auxiliar na redução de perdas, diminuição de riscos associados à ANVISA, além de dar velocidade à operação, confiabilidade, maior conhecimento da produção e reduzir custos.

A internet das coisas talvez seja o grande modelo de negócios que todos estavam esperando para o futuro. Com os benefícios da informação integrada, os produtos industriais e os objetos de uso diário poderão ter identidades digitais e serem equipados com sensores que detectam mudanças físicas à sua volta, de um jeito que seja viável transformar estática em novidade e dinamismo, misturando inteligência ao meio ambiente e estimulando a criação de produtos e novos serviços. A ideia é conectar objetos uns aos outros, em uma rede integrada para facilitar sua vida.

Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial possibilitará a captura e análise de grandes quantidades de informações para auxiliar laboratórios no desenvolvimento de novos medicamentos ou aprimoramento de antigos. Mais: essa tecnologia tornará a indústria farmacêutica mais eficiente, da eliminação de falhas no encapsulamento a usos bem mais sofisticados – como algoritmos que fazem indicações terapêuticas, previsão de efeitos colaterais e auxiliar em novas formulações. 

Pillo, por exemplo, é um pequeno robô doméstico que pretende ser o seu farmacêutico pessoal. Ele responde a questões sobre saúde e bem-estar, conecta-se com profissionais desta área e faz a gestão de medicamentos. Certamente, algo assim está nos planos dos assistentes pessoais desenvolvidos por Apple, Google e Amazon.

Além disso, não é surpresa que Apple, Intel e Google tenham recentemente feito grandes investimentos comprando startups de IA. E, embora nenhum deles tenha experiência no desenvolvimento de medicamentos, todos estão se posicionando agressivamente para entrar no mercado do setor de saúde. 

O Vale do Silício está acostumado a inovar rapidamente e adotar novas tecnologias e pode muito bem superar a indústria farmacêutica tradicional. Uma equipe de cientistas da computação, programadores e engenheiros da Microsoft começarão a testar Inteligência Artificial para executar uma variedade de tarefas, como criar modelos abrangentes de células para entender como elas se comunicam ou como o sistema de um paciente com câncer pode reagir a diferentes drogas.

A indústria farmacêutica pode estar à beira de uma grande transformação, já que IA e Big Data começam a transformar a maneira como as drogas são fabricadas e testadas. A tecnologia usa o poder preditivo de seu algoritmo para projetar novas moléculas, extraindo uma nova hipótese baseada em um gráfico de conhecimento composto por mais de um bilhão de relações entre genes, alvos, doenças, proteínas e medicamentos.

A DeepMind, startup de Inteligência Artificial do Google, está treinando seu software para dobrar proteínas para a descoberta de medicamentos. A empresa planeja aplicar um algoritmo baseado em uma de suas principais tecnologias, chamada AlphaGo para finalmente desenvolver medicamentos.

Membros da equipe do Google Brain anunciaram que desenvolveram visão computacional para a identificação da cristalização de proteínas, alegando taxas de precisão em torno de 94%. Esse processo determina a forma das células e pode desempenhar um papel na descoberta de medicamentos para tratar várias doenças.

A Boston Berg está usando IA para pesquisar e desenvolver diagnósticos e tratamentos terapêuticos em várias áreas, incluindo oncologia, aplicando um algoritmo baseado em probabilidade para analisar um grande número de genótipos, fenótipos e outras características dos pacientes.

O centro de pesquisas do Baidu anunciou que criou um algoritmo que é melhor do que os patologistas humanos na identificação de células tumorais no tecido mamário. Os primeiros resultados também mostraram que sua IA se tornou mais precisa do que as pessoas na detecção de câncer de pele.

O XtalPi integra física quântica e IA na pesquisa e desenvolvimento de medicamentos, para desenvolver uma física híbrida e uma plataforma de software alimentada por IA para modelagem molecular precisa de pequenas moléculas semelhantes a medicamentos.

O IBM Watson Health lançou um serviço de sequenciamento genômico em parceria com a Quest Diagnostics, que visa fazer avanços na medicina de precisão, integrando a computação cognitiva e o sequenciamento genômico de tumores para descobrir rapidamente o tratamento de câncer.

Realidade Aumentada 

Problema técnico na linha? Não é preciso chamar o plantonista. Ele pode com aqueles óculos e à distância “entrar” na linha e auxiliar o pessoal do local. Será que o batom ficará bom? Aplicativos já simulam os efeitos de cosméticos, como corretivo e blush – no corpo da consumidora.

Com a tecnologia, um engenheiro de sistemas pode andar livremente pelas instalações e receber notificações em tempo real, de uma maneira altamente natural, pois dados gerados pelo sistema a partir de uma variedade de fontes são retransmitidos através do dispositivo. Por exemplo, o engenheiro pode ser informado de uma falha no equipamento do processo, ou de um local que em breve precisará ser reabastecido, de um instrumento mostrando sinais de exigir manutenção preventiva. Isso traz um significado totalmente novo ao conceito de controle de fabricação, porque mais erros em potencial serão detectados e resolvidos com antecedência, levando a custos mais baixos e a enormes ganhos de eficiência.

Impressão 3D

Sim. Há um mundo de possibilidades que, em matéria de saúde, não se limita a impressão de próteses e a síntese de órgãos humanos. Na área farmacêutica já se vislumbra por exemplo a impressão de comprimidos com doses personalizadas ou combinação de medicamentos num único comprimido. A primeira impressora de medicamentos foi aprovada pelo FDA em 2015.

Nos Estados Unidos, a Aprecia Pharmaceuticals, é responsável por produzir um medicamento chamado Spritam, usado no controle de epilepsia. O aparelho contém uma impressora 3D tradicional, além de tecnologias próprias da Aprecia.

Vale lembrar que nem todos os remédios funcionariam bem com este tipo de tecnologia, mas há vantagens a serem consideradas: apesar da superfície mais porosa das pílulas, é possível calibrar a dosagem de acordo com cada paciente, alterar o formato do comprimido e dissolvê-lo mais facilmente na boca.

Biotechs: as startups da indústria farmacêutica

Antes de tudo: você sabe definitivamente o que é uma startup?

A utilização do termo começou durante a crise das empresas ponto-com, entre 1996 e 2001. Na época, foi formada uma bolha especulativa caracterizada pela alta das ações das novas empresas de tecnologia da informação e comunicação alocadas no espaço da Internet. A Bolha da Internet, como ficou comumente conhecida, adotou e começou a utilizar o termo startup, que até então apenas significava um grupo de pessoas trabalhando por uma ideia diferente e com potencial de fazer dinheiro. Além disso, startup, na etimologia da palavra, também sempre foi sinônimo de iniciar algo e colocá-lo em funcionamento.

Startup é uma empresa jovem com um modelo de negócios repetível e escalável, em um cenário de incertezas e soluções a serem desenvolvidas. Embora não se limite apenas a negócios digitais, uma startup necessita de inovação para não ser considerada uma empresa de modelo tradicional.

Há bastante espaço para discussão e interpretação do significado real do que é uma startup. Muitas pessoas dizem que qualquer pequena empresa em seu período inicial pode ser considerada uma startup. Outros defendem que uma startup é uma empresa com custos de manutenção muito baixos, mas que consegue crescer rapidamente e gerar lucros cada vez maiores. Há ainda quem diga que a “tia do cachorro-quente” é uma startup e uma franquia de lanches é uma empresa. Se desmembrando a palavra, chegamos ao ato de iniciar algo, seria todo empreendimento um dia uma startup?

A resposta é não. Existem algumas características que definem esse tipo de empresa que excluem negócios tradicionais. Elas são: modelo de negócio inovador, repetível e escalável e cenário de incertezas.

O modelo de negócios é diferente de um plano de negócios, que foca em estratégias detalhadas para atingir metas, por exemplo. No modelo de negócios, o foco não é necessariamente no produto, mas no valor e, consequentemente, na rentabilidade. Em outras palavras, como o seu negócio soluciona a dor do cliente de forma lucrativa. Muitas vezes, o desafio do modelo de negócios de startups é criar algo inovador: ou adaptar um modelo de negócios para uma área onde não é comumente aplicado, ou criar um modelo totalmente novo.

Repetível e escalável: esses dois fatores são super importantes para uma startup, uma vez que sem eles o negócio tem grandes chances de se tornar insustentável. Quem empreende com uma startup nunca sabe o dia de amanhã: afinal, a empresa terá capital para se manter? Essa é uma pergunta vital para esse negócio. Um produto repetível e escalável traz inúmeras vantagens, uma vez que ele promete atingir um grande número de clientes e gerar lucro de forma rápida!

Para um negócio ser repetível significa que ele é capaz de entregar o mesmo produto em escala potencialmente ilimitada. Dessa forma, não é viável muitas customizações ou adaptações, pois a meta é multiplicar. Já ser escalável significa crescer cada vez mais sem que isso influencie no modelo de negócios. Como resultado, um modelo de negócio repetível e escalável que tem um fit no mercado tem grandes chances de ser uma startup de sucesso.

Criar uma startup é fugir do tradicional. Como procura ser disruptiva, dificilmente uma startup vai ter um manual de como ser bem sucedida. Não há como afirmar se a ideia ou projeto de empresa irão realmente deslanchar. Dessa forma, o caminho a ser trilhado e os passos que o empreendedor deve tomar são minimamente incertos.

Uma forma de lidar melhor com esse cenário de incertezas é o produto mínimo viável, também conhecido como MVP. Ele tem o objetivo de validar uma solução e ajudar a entender o que o cliente realmente quer gastando o mínimo possível. 

As startups podem ser divididas de várias formas, sendo que as principais são entre tipos de negócio ou nichos onde atuam. Em relação aos tipos de negócio, destacam-se três tipos:

B2B (Business to Business): em português, negócios para negócios, esse tipo de startup atende outras empresas ao invés do consumidor final diretamente.

B2C (Business to Consumer): em português, negócios para consumidores, essa startup fornece um serviço para o consumidor final. 

B2B2C (Business to Business to Consumer): em português, negócios para empresas para consumidores, é utilizada quando uma empresa faz negócios com outra visando uma venda para o cliente final.

Já os nichos onde atuam são de acordo com a área da empresa. Você já deve ter se deparado com termos como FinTech, HealthTech, EdTech, LawTech e por aí vai. Essas são nomenclaturas para definir startups no ramo, respectivamente, de mercado financeiro, saúde e medicina, educação, direito. No nosso caso, estamos falando das BioTechs ou PharmaTechs, as startups da indústria farmacêutica.

Apesar do crescimento da população mundial e da crescente demanda por medicamentos, a indústria farmacêutica tradicionalmente não inovou no mesmo ritmo. Segundo a BBC, o Dr. Kees de Joncheere, da Organização Mundial da Saúde, declarou: “O sistema [indústria farmacêutica] nos serviu bem em termos de desenvolvimento de bons novos medicamentos, mas nos últimos 10 a 20 anos houve muito pouco avanço, inovação”. 

De 2006 a 2015, o número médio de pedidos aprovados de novas entidades moleculares (NME) e de novos pedidos de licença biológica (BLA) pelo FDA foi de aproximadamente 32 e pesquisas (via Washington Post) indicam que 78% das patentes aprovados pelo FDA correspondem a medicamentos já existentes no mercado.

Nos últimos anos, vimos uma mudança. Em 2017 e 2018, o número de NMEs e BLAs aprovados aumentou para 46 e 59, respectivamente, em comparação com 45 em 2015. Em 2018, 19 dos 59 novos medicamentos aprovados foram considerados de primeira classe, 34 receberam designação órfã para tratamento de doenças raras e 24 receberam a designação rápida, pois se destinam a condições graves com necessidades médicas não atendidas. Embora isso seja encorajador, é importante observar que um relatório do Instituto IQVIA, de 2019, constatou que 64% dos medicamentos aprovados pela FDA em 2018 (via Fierce Biotech) eram provenientes de biotechs.

Com os avanços da tecnologia fornecidos pelas startups, a indústria farmacêutica pode sofrer uma disrupção em todo o setor. As grandes empresas, tradicionalmente responsáveis ​​por todos os aspectos do pipeline de descoberta de medicamentos, continuarão a terceirizar esses processos para empresas menores e disruptivas, com alternativas simples e acessíveis. 

Como explica Clayton Christensen, no The Innovator’s Prescription, essa disrupção permitirá que os peixes grandes reduzam os investimentos de atividades menos lucrativas em seus negócios e reorientem os esforços para resultar em maiores lucros e produtividade. Em um artigo recente publicado pelo Endpoints News, os autores sugerem crescente concorrência e menor retorno do investimento em P&D como principais razões para a redução de processos de negócios não essenciais. Frequentemente, essa disrupção envolve aspectos de terceirização da cadeia de suprimentos farmacêuticos para empresas especializadas, como organizações de pesquisa contratada (CROs), bem como organizações de desenvolvimento e fabricação de contratos (CDMOs). 

De acordo com o relatório do IQVIA Institue, as biotechs “patentearam quase dois terços dos novos medicamentos lançados em 2018”, embora as grandes farmacêuticas tenham um papel importante. No geral, da descoberta aos ensaios clínicos, parece que a disrupção está bem encaminhada na indústria farmacêutica.

A disrupção do pipeline de descoberta, desenvolvimento e distribuição de medicamentos pode resultar em um novo equilíbrio de poder no setor e oferecer aos players a oportunidade de ter sucesso em um setor anteriormente saturado de barreiras substanciais à entrada. 

Continua a ter um número crescente de biotechs bem financiadas – e empresas focadas em Inteligência Artificial para descoberta e desenvolvimento de medicamentos – emergindo rapidamente no cenário global, como a Nimbus Therapeutics, Puma Biotech, Blueprint Medicines e Recursion Pharmaceuticals. 

Estamos vendo grandes mudanças no espaço de fusões e aquisições; de acordo com o The New York Times, o valor de negociação das biotechs se aproximaram de US$ 146 bilhões nos primeiros dois meses de 2019 nos EUA – mais do que o anunciado em 2017 e 2018. O artigo observou que “as aquisições de empresas de biotecnologia americanas estão subindo e também os preços que os compradores estão dispostos a pagar”. Como resultado, as grandes empresas farmacêuticas podem procurar manter sua posição pagando em excesso pelo alto potencial das empresas de biotecnologia, o que poderia proporcionar uma grande oportunidade para outros novos players.

De acordo com um artigo recente no Science Daily, “o sequenciamento do genoma humano e o desenvolvimento de tecnologias poderosas e acessíveis de sequenciamento de DNA deram início a uma nova era da oncologia de precisão, na qual os pacientes são tratados com terapias personalizadas projetadas para atingir as mutações específicas dentro de empresas, que podem projetar medicamentos direcionados a doenças no nível molecular, minimizando os efeitos colaterais fora do alvo e considerar a farmacogenômica estrutural. Elas podem transformar a estrutura da indústria farmacêutica e curar doenças com um nível significativo de precisão”.

Os desafios são maiores do que nunca, mas o futuro da indústria farmacêutica parece promissor. As biotechs podem liderar o processo de inovação de modelos científicos e de negócios e serão responsáveis ​​por muitas dessas mudanças no setor. E, embora seja provável que ocorra a consolidação da biotecnologia por grandes empresas farmacêuticas, uma nova classe de startups que rivalizam com os players tradicionais surgirá. Acredito que a indústria farmacêutica se reinventará e desempenhará um papel significativo na melhoria da saúde de bilhões de pessoas em todo o mundo.

Soluções tecnológicas de gestão para a indústria farmacêutica

Produção por processo

O planejamento de produção, alinhado ao planejamento de vendas e às políticas de estoque, tem sido um diferencial nos nossos projetos. Afinal, ele permite ao PCP executar múltiplos cenários e decidir qual é aquele que lhe possibilita uma maior comodidade. Como resultado de boas reuniões de S&OP, tem-se um plano de vendas estruturado, que reflete imediatamente na configuração e sequenciamento de ordens de produção. Tudo isso de maneira dinâmica e sistemática.

Nosso amplo conhecimento em segmentos de processos viabilizou o desenho de parâmetros dentro das soluções de gestão empresarial da SAP. Este diferencial permite o cadastramento das formulações e dos recursos, garantindo o controle tanto do custo, como do consumo de matéria prima. A implantação de funcionalidades específicas, tais como fórmulas que possibilitam o ajuste de princípios ativos de acordo com as variações do ambiente ou pela composição do material, aumentou consideravelmente o índice de apuração correta dos custos.

Gestão da Manutenção

A Engine atua ao lado dos clientes para obter o maior potencial do sistema de controle de manutenções. A elaboração de bons planos de manutenção e a criação das listas de engenharia dos equipamentos são fundamentais para a boa utilização do sistema. 

Atualmente, nossos consultores têm auxiliado fortemente nos projetos na visão de negócio. Com isso, conseguimos direcionar os clientes às melhores práticas a serem seguidas.

Gestão de estoques

Com a automatização das movimentações de estoque e com o uso de coletores de dados no armazém, tivemos 40% mais rapidez nas contagens de inventário e mais de 80% nas movimentações entre as áreas. Os processos de estoque automatizados pelo Modelo de Referência Engine propiciou maior Compliance e mais confiabilidade nos saldos de estoque, passando no crivo de grandes auditorias de mercado e clientes.

Vendas e Faturamento

Na indústria farmacêutica há longos períodos de negociação. Isso porque os clientes mudam seus hábitos de acordo com as flutuações do mercado, o que dificulta a previsibilidade. Contudo, é fundamental uma interação ágil com a área de vendas e seus representantes. Por isso, a Engine criou um protocolo de integração. Ele possibilita que as empresas enviem e consultem dados do SAP de maneira rápida e com segurança.

Finanças 

Com o objetivo de reduzir o impacto do contraponto gerencial, a Engine obteve sucesso criando um engajamento da área financeira. Para isso, estabeleceu um fluxo de caixa com três visões: planejado, previsto e realizado. Sendo que no previsto já se tem a visibilidade das requisições de compras e pedidos emitidos aos fornecedores.

Benefícios e ganhos:

  • Aumento do Compliance e organização; 
  • Redução do retrabalho e geração de informações manuais; 
  • Processos organizacionais integrados; 
  • Maior assertividade na realização das atividades de logísticas, como aquisições mais conscientes, previsibilidade de demandas; 
  • Comunicação instantânea entre as áreas (base única de informações); 
  • Aumento da segurança nos processos fabris com o controle por lote e movimentações pelo código de barras do material; 
  • Redução do risco de baixa qualidade devido ao controle de qualidade sistêmico; 
  • Agilidade na geração dos laudos e registro de resultados; 
  • Processos estabelecidos com base em melhores práticas de mercado; 
  • Validação dos sistemas garantindo a compliance com as RDC’s; 
  • Mais agilidade e simplicidade nas auditorias externas e internas.

Vantagens competitivas para empresas farmacêuticas

Simplifique as questões regulatórias 

Contar com sistemas que automatizem o atendimento às questões regulatórias sem dúvida é uma vantagem competitiva. Você não só reduz o risco de não cumprimento das normas de conformidade e dos acordos regulatórios, que acontecem especialmente por falha humana, como também se mantém atualizado quanto a alterações nas legislações que afetem o processo. 

Não queira reinventar a roda 

Bons exemplos devem ser seguidos e aprimorados. As principais causas de insucesso em implementações – que vão desde um simples e-mail até um ERP – está no excesso de customizações. Entenda: seu modelo e o seu jeito de trabalhar não estão errados, mas é sempre possível melhorar seguindo as boas práticas de mercado.

Tenha uma metodologia confiável para o controle de rastreabilidade

Uma metodologia eficiente e eficaz, que controle e otimize os processos, desde a cadeia de suprimentos à entrega do produto, aumenta a produtividade, reduz falhas, melhora a relação com todos os pontos da cadeia e, consequentemente, reduz custos. Busque mais agilidade no replanejamento de compra e venda, com eficácia na gestão do estoque. Adote soluções que integrem sistemas e ferramentas de vendas ao sistema de gestão e que ofereçam análises da rentabilidade dos produtos por: volumes, receitas, custos, vendedor, regiões, grupos e por clientes.

Administre tempo e recursos com inteligência

Quando você tem inteligência na administração de tempo e recursos, você aumenta a lucratividade pelo controle no do custeio produtivo e reduz o custo fiscal da operação. Como consequência, a empresa transforma os recursos investidos em valor com mais antecedência. Escolha soluções desenhadas para o seu setor, que vivam o mesmo cenário que sua empresa vive e que já tenham passado pelos mesmos problemas que você enfrenta hoje. Soluções que sejam não só vantajosas financeiramente, como também tragam retorno no curto prazo. Aproveite o tempo e dinheiro economizados para gerenciar toda a cadeia do negócio com antecedência, já pensando nas próximas inovações. 

Seja uma empresa sustentável 

A sustentabilidade de uma empresa não está restrita às vertentes sociais e ambientais. As questões financeiras e operacionais são essenciais. Adotar práticas sustentáveis, portanto, permite alcançar a excelência operacional e melhora a imagem da empresa. A sustentabilidade do negócio melhora a gestão da produção, reduzindo perdas e custos de estoque, a gestão da qualidade de produtos e o gerenciamento da demanda, aumentando previsibilidade e otimizando os desvios sazonais. Busque soluções robustas e escaláveis, sem impactos na infraestrutura e nos custos de TI associados, e que apresentem baixo risco e baixo impacto na revisão de processos e implementação de melhores práticas do setor farmacêutico.